segunda-feira, 8 de março de 2021

Comarca de Taquarituba recebe posto do Cejusc

Comarca de Taquarituba recebe posto do Cejusc

Evento on-line aconteceu na manhã desta sexta-feira (5).
 
A instalação do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Taquarituba foi marcada por solenidade realizada na manhã desta sexta-feira (5). A unidade visa facilitar o acesso à Justiça, dando celeridade às causas e incentivando a resolução de conflitos por meio do diálogo. O evento aconteceu de forma virtual em razão das recomendações de segurança para evitar a propagação da Covid-19.
“É o Poder Judiciário atuando para alcançar a composição entre as partes. O conflito é inerente à sociedade, mas a forma com a qual lidamos com isso é que transforma a sociedade não-civilizada em civilizada. O Cejusc é um instrumento de civilização”, afirmou o desembargador Tasso Duarte de Melo, integrante do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) e que representou o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Geraldo Francisco Pinheiro Franco na ocasião.
Segundo o diretor do fórum da Comarca de Taquarituba e coordenador do novo Cejusc, juiz Wallace Gonçalves dos Santos, magistrados que o antecederam não mediram esforços para a implantação do Centro na região, realizada hoje. Ele também falou da importância dessa forma de Justiça para desafogar os meios tradicionais e estimular a pacificação social. ”Na contramão da cultura de litígio, arraigada no sistema brasileiro, o Cejusc proporciona às partes o diálogo”, disse. “Atualmente, o TJSP possui em andamento mais de 19 milhões de processos, estando aproximadamente 10 mil na Comarca de Taquarituba. Com a instalação do Centro, poderemos constatar redução significativa desse acervo”, completou.
Também prestigiaram a solenidade o presidente do Fórum de Conciliação e Mediação de São Paulo (Focomesp) e responsável pelo Cejusc Central, juiz Ricardo Pereira Junior; o promotor de Justiça da Comarca de Taquarituba, Fabricio Pereira de Oliveira; a delegada Camila Rosa Alves; o comandante da 3ª CIA do 53º BPMI, subtenente Marcos Roberto Vieira do Prado Firmino; e o presidente da Câmara Municipal de Coronel Macedo, vereador Joaquim Valdecir Garcia.
 
 
Cejuscs - atendem demandas das áreas Cível e de Família, como Direito do Consumidor, cobranças, regulamentação ou dissolução de união estável, guarda e pensão alimentícia e regulamentação de visitas. Não há limite de valor da causa. Conciliadores ou mediadores auxiliam os envolvidos a buscar uma solução para o problema, sob a supervisão do juiz coordenador. Se houver acordo, ele é homologado pelo magistrado e tem a validade de uma decisão judicial.

 

Tribunal declara ineficácia de distrato de imóvel por má-fé de construtoraTribunal declara ineficácia de distrato de imóvel por má-fé de construtora

Tribunal declara ineficácia de distrato de imóvel por má-fé de construtora

Empresa entrou em recuperação judicial cinco dias após acordo.

A 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo declarou a ineficácia de distrato celebrado entre uma construtora e um cliente que havia adquirido imóvel no Guarujá. A decisão também anulou a dação para empresa credora, como parte de pagamento de dívida que a construtora possui.
De acordo com os autos, o autor adquiriu um apartamento no empreendimento da ré e, com preço quitado e diante do atraso na entrega da obra, optou por desfazer o negócio e receber de volta o valor pago, cerca de R$ 700 mil, em quatro parcelas. Porém, menos de um mês depois, a construtora entrou com o pedido de recuperação judicial e incluiu o crédito do autor no rol dos quirografários, isto é, aqueles que serão pagos por último.
O relator designado do recurso, desembargador Enio Zuliani, afirmou que as provas nos autos deixam claro que, na data do distrato, a construtora já se preparava para o processo de recuperação extrajudicial, fato que foi omitido do autor e o prejudicou. “Resulta que a deliberação manifestada pela ré, em restituir o valor pago mediante quatro parcelas, foi exteriorizada com consciência de que o credor (autor) não receberia o valor da forma como constou da obrigação”, pontuou. “Caso o autor tivesse conhecimento do que a ré mentalizava quando assumiu dever de devolver o valor pago, ficaria com o imóvel.”
Enio Zuliani pontuou que cinco anos já se passaram e a ré ainda não cumpriu o plano de recuperação, o que evidencia conduta dolosa e má-fé. “A causa do distrato, para a requerida, está contido no propósito de nada pagar. Sabia da recuperação que iria prejudicar a solvabilidade e ficou livre de entregar o imóvel que foi compromissado e quitado. Não há interesses recíprocos, mas, sim, intenção fraudulenta e manifesta, data vênia.”
O magistrado ressaltou, ainda, que a construtora, além de não ter honrado o acordo feito com o apelante, deu o apartamento como parte de pagamento à empresa credora/financiadora da obra, que também agiu com dolo ao aceitar a dação. “O que se aplica para a ré incide para a credora e ambas frustraram, com dolo direto, as expectativas do autor, subtraindo dele as duas opções possíveis: a entrega do imóvel, excluída pela dação e a devolução do valor pago, eliminada com a recuperação que não promete pagamento algum.” E concluiu: “A nulidade ou ineficácia de um contrato atinge o outro com a mesma intensidade e com a mesma proporção”.
Participaram do julgamento os desembargadores Maurício Campos da Silva Velho, Fábio Quadros, Natan Zelinschi de Arruda e Alcides Leopoldo.

Apelação nº 1092136-97.2017.8.26.0100

  Comunicação Social TJSP – DM (texto) / Internet (foto)
imprensatj@tjsp.jus.br

 

TJSP promove ações na semana do Dia Internacional da Mulher

TJSP promove ações na semana do Dia Internacional da Mulher

 Campanha para enfrentamento da violência de gênero. 

 

Na semana do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8/3, o Tribunal de Justiça de São Paulo promove ações para combater a violência de gênero e, também, para homenagear as mulheres que atuam no Judiciário. A partir de hoje (7), será exibida uma série de vídeos com magistradas e servidoras da Corte, onde compartilham fatos e histórias de suas trajetórias: seus desafios e conquistas e abordam a presença feminina no Judiciário Bandeirante. Os vídeos serão veiculados de 7 a 13/3 nas redes sociais do TJSP e no site, na área “Vídeos em Destaque”.

O objetivo é, na figura dessas sete mulheres, homenagear as mais de 22 mil profissionais que atuam no TJSP em todo o Estado. Participaram das entrevistas a desembargadora Maria de Lourdes Rachid Vaz de Almeida; as juízas Deborah Ciocci, Elizabeth Ashikawa e Joanna Terra; a secretária da Presidência, Cláudia Braccio Franco Martins; e as servidoras Rosangela Santos e Silvia Hanai. Além dos vídeos curtos, com cerca de um minuto cada, o trabalho também envolve um vídeo inédito, de 15 minutos, que será exibido em duas edições especiais da visita monitora virtual ao Palácio da Justiça, Especial Dia Internacional da Mulher. As visitas são direcionadas ou público interno, com o envio do convite pelo e-mail institucional. 

 

Projeto #Rompa

Nesta segunda-feira (8), às 14 horas, também será lançado pelo TJSP o Projeto #Rompa, com transmissão ao vivo pelo Youtube do TJSP – www.youtube.com/tjspoficial. O foco da nova campanha do Tribunal é estimular que vítimas de violência de gênero denunciem e procurem apoio para romper relacionamentos abusivos. Afinal, diminuir a subnotificação de casos é fundamental, uma vez que o Brasil é o 5º país no qual mais se mata mulheres no mundo (de acordo com a ONU). Criada pelo TJSP, em parceria com a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), a campanha também conta com o apoio das empresas e concessionárias ligadas à Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) e está aberta a novos apoiadores. Serão diversas ações ao longo do ano. 

 

Comunicação Social TJSP – CA (texto) / MK (arte)

imprensatj@tjsp.jus.br

 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Perspectivas globais em Direito de Família e a pandemia serão debatidos em seminário internacional

Perspectivas globais em Direito de Família e a pandemia serão debatidos em seminário internacional

Inscrições podem ser feitas até sexta-feira (5).

 

No dia 11 de março será realizado o seminário internacional Family Kind’s 9th Annual Awards Benefit & Virtual Symposium, promovido pela instituição Family Kind. O evento terá como tema “Global perspectives in Family Law and the Covid-19 pandemic” (“Perspectivas globais em Direito de Família e a pandemia da Covid-19”) e será realizado em Nova York (EUA), com retransmissão ao vivo, em inglês, pela Escola Paulista da Magistratura (EPM), com acesso na Central de vídeos do site da Escola.
O seminário versará sobre mediação e sobre a atuação das oficinas de divórcio e parentalidade no âmbito da pandemia, ações reconhecidamente relevantes para o atendimento das famílias em situação de divórcio com filhos menores, independentemente da judicialização dos conflitos.
São oferecidas 600 vagas, gratuitas e abertas a todos os interessados. Sugere-se que os participantes ofertem voluntariamente uma cesta básica a uma instituição filantrópica dentre a indicadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, ou da própria escolha.
Haverá emissão de certificado àqueles que registrarem frequência (para obtenção de presença, o aluno deverá assistir integralmente ao evento na Central de vídeos em até cinco dias corridos após o recebimento do comunicado por e-mail informando que o vídeo está disponível com legendas em português).

  Inscrições: podem ser feitas até o dia 5 de março. O interessado deverá acessar a área Inscrições do site da EPM, clicar no nome do curso e em seguida em “Realizar login”. Os magistrados e funcionários do TJSP deverão clicar no ícone “Entrar com @tjsp.jus.br”, preencher e-mail e senha do correio eletrônico e seguir as instruções indicadas. Oportunamente, será remetido e-mail confirmando a inscrição. Os inscritos serão matriculados automaticamente, respeitado o número de vagas (verificar o e-mail confirmando a inscrição).
A gravação do evento com legendas em português será disponibilizada oportunamente pela EPM aos participantes.

 

  Mais informações no site da EPM.

 

  Programa:
16h às 19h30 – Simpósio
Juíza Vanessa Aufiero da Rocha e demais autoridades no tema

  19h45 às 20h30 – Premiações 
Juíza Vanessa Aufiero da Rocha e demais autoridades no tema

 
Comunicação Social TJSP – MA (texto) / Divulgação (arte)

 

Justiça determina publicação de lista de pessoas que serão vacinadas contra Covid-19 em Sorocaba

Justiça determina publicação de lista de pessoas que serão vacinadas contra Covid-19 em Sorocaba

Atenção ao princípio da publicidade.

  O juiz Alexandre Dartanhan de Mello Guerra, da Vara da Fazenda Pública de Sorocaba, determinou em liminar que o Município de Sorocaba disponibilize no site da Prefeitura, no prazo de 72 horas, lista com os nomes das pessoas que irão receber vacina contra a Covid-19, indicando o grupo prioritário a que pertencem, bem como divulgue o fato nas redes sociais. A medida não impede a vacinação de outras pessoas que se encontrem em grupo prioritário e que porventura não figurem na lista.
A Municipalidade deverá, também, em cinco dias, apresentar nos autos a listagem nominal daqueles que já receberam a vacina, documento será de acesso exclusivo às partes, seus advogados e o Poder Judiciário. A multa em caso de descumprimento da liminar é de R$ 10 mil diários.
O Ministério Público estadual afirma que recebeu diversas notícias de vacinação de indivíduos que não integravam o grupo preferencial e que, diante dos indícios de irregularidades no processo de vacinação, seria necessária uma lista pública dos vacinados e dos que virão a ser.
O magistrado escreveu em sua decisão que “há fatos sérios e graves declinados na inicial” que devem ser examinados, mas que “exigem a prudência e a cautela para que não se exponha a risco concreto os supostamente neles envolvidos, diante de toda a coletividade”.
O juiz ponderou que, conforme o princípio da publicidade, deve haver transparência em todos os atos da Administração Pública. “O sigilo, por consequência, é uma medida excepcional, deve estar presente somente quando a própria publicidade puder malferir a realização do interesse público ou, ainda, quando puder comprometer diretamente a salvaguarda de direitos individuais e da personalidade”, pontuou.
A lista dos vacinados deve ser juntada somente nos autos do processo "pois, nada faz crer deva ser disponibilizada pela rede mundial de computadores, desde já, a toda sociedade. Tal situação, repito, em tese, poderá vir a seriamente comprometer a integridade, o nome, a privacidade e a honra das pessoas em questão."
Cabe recurso da sentença.

Processo nº 1006642-77.2021.8.26.0602

  Comunicação Social TJSP – DM (texto) / Internet (foto)
imprensatj@tjsp.jus.br

 

quinta-feira, 4 de março de 2021

#TJSP + Seguro – Atenção aos sintomas compatíveis com a Covid-19

#TJSP + Seguro – Atenção aos sintomas compatíveis com a Covid-19

Prevenção é essencial para a contenção do vírus.
 
A pandemia global da Covid-19 já atingiu grande parte dos municípios brasileiros e milhões de pessoas. Uma das medidas de controle e desaceleração do contágio divulgadas pelo Ministério da Saúde é a atenção ao reconhecimento dos sintomas, que que podem variar de um resfriado à uma pneumonia severa. Dentre os mais comuns estão tosse, febre, coriza, dor de garganta, dificuldade para respirar, perda de olfato, alteração do paladar, distúrbios gastrintestinais (náuseas, vômitos, diarreia), cansaço, diminuição do apetite e dispneia (falta de ar). Saiba mais na página do governo de São Paulo.
Em caso de apresentação de qualquer sintoma compatível com a Covid-19, é recomendado evitar contato físico com outras pessoas, incluindo familiares, principalmente idosos e portadores de doenças crônicas; e procurar atendimento e diagnóstico médico. Com o retorno gradual ao trabalho presencial nas unidades judiciais, a Corte emitiu a Nota Técnica sobre Protocolos e Orientações  e a Nota Técnica Conjunta SAAB/SGP nº 4/2020, que tratam dos protocolos para os casos de eventuais ocorrências de pessoas com suspeita ou infectadas nos ambientes do TJSP. A diretora da SGP 5 e médica do trabalho do TJSP, Daniele Perroni Kalil, destacou que, “diante do quadro mundial da pandemia, o Judiciário paulista tem seguido as recomendações dos órgãos nacionais e internacionais de saúde. Desta forma, a nota técnica conjunta fornece todas as orientações necessárias, através de esclarecimento técnico e científico, trazendo calma e segurança nas decisões a serem tomadas”. 
O Provimento CSM nº 2.564/20, que regulamenta o retorno gradual ao trabalho presencial, prevê restrição de acesso às unidades judiciais a pessoas que apresentarem temperatura corporal igual ou superior a 37,5º C ou sintomas respiratórios gripais visíveis (tosse, espirros e corizas), característicos dos casos suspeitos de infecção pela Covid-19, que serão orientadas a procurar auxílio médico imediato.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 80% dos pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar poucos sintomas. Por isso, a principal orientação “é sempre mantermos o distanciamento social preconizado, a higiene das mãos com frequência e o uso de máscaras. Somente desta forma estaremos seguros”, alertou a médica. 
 
 
Comunicação Social TJSP – TM (texto) / JT (arte)
imprensatj@tjsp.jus.br

 

Eu Tenho Voz na Rede

Eu Tenho Voz na Rede

Versão on-line de projeto contra abuso infantil.

 

    O projeto “Eu Tenho Voz”, do Instituto Paulista de Magistrados (Ipam), é voltado à defesa e prevenção contra o crime de abuso sexual, físico e psicológico cometido contra crianças e adolescentes. Realizado em escolas de ensino fundamental e centros comunitários de São Paulo, conta com uma peça de teatro itinerante interpretada pela Cia Narrar Histórias Teatralizadas, que aborda o tema de forma lúdica, além de um curso preparatório de capacitação voltado a professores e educadores para identificação precoce dos casos de violência e acolhimento das vítimas. Foi lançado em 2016 e já atingiu mais de 30 mil alunos desde então.

    Na semana passada, a iniciativa ganhou uma versão on-line – Eu Tenho Voz na Rede –, adaptado para o novo contexto de distanciamento social. A modalidade digital é uma variação e extensão do projeto original, meio encontrado para dar continuidade à ação, visto que dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que 69,2% dos casos de abuso sexual infantil ou de estupro ocorrem na residência das vítimas e 37% dos abusadores têm vínculo familiar com elas. “Com o distanciamento social provocado pela pandemia, as vítimas estão presas em casa com seus algozes”, ressalta a juíza Hertha Helena Rolemberg Padilha de Oliveira, 2ª vice-presidente do Instituto Paulista de Magistrados (Ipam) e idealizadora do projeto. “O abuso sexual é uma questão tormentosa para todos os magistrados, porque quando são revelados já estão ocorrendo há muito tempo”, completa. A magistrada conta que, no contato com as vítimas – seja nas varas da Infância e da Juventude, de Família ou criminais – é sempre muito doloroso observar vidas infantis destruídas por um crime que acontece, na esmagadora maioria das vezes, nas próprias famílias.

 

    Atividades

    Por meio de EAD, os educadores receberão o curso de capacitação básica, com formação de turmas e certificação oficial. Em seguida, entra em cena o instrumento de sensibilização para crianças: são exibidos quatro vídeos que abordam o tema do abuso sexual infantil em linguagem adequada a várias faixas etárias. Ainda no primeiro semestre deste ano, os materiais chegarão às escolas com a participação remota dos juízes e demais voluntários, que promoverão um debate com docentes e alunos, orientando sobre as formas de violência e os caminhos para denúncia e solução.

    Na forma presencial, integrantes da Magistratura, do Ministério Público e da Procuradoria Geral do Estado comparecem às escolas nos dias de encenação, transmitindo confiança, empatia e aproximando o Estado das comunidades. Três desembargadores e 19 juízes participam do projeto. Já no formato digital, magistrados voluntários ficarão disponíveis para uma conversa reservada com as crianças. “Com a presença do juiz, os alunos se sentem protegidos e criam coragem para pedir socorro”, diz Hertha de Oliveira, que também acredita que o formato virtual ampliará o projeto, já que haverá possibilidade de se chegar a qualquer cidade ou Estado, expandindo o trabalho preventivo e de conscientização sobre o tema.

    “Já recebemos vários pedidos de escolas do interior de São Paulo e estamos finalizando nossos ajustes com a Secretaria de Educação Municipal da Capital. Os primeiros cursos de capacitação deverão começar em março e, na sequência, as ações com os alunos”, conta a magistrada. O Ipam coordena todo o desenvolvimento e a logística das ações realizadas em parceria com os profissionais especializados no acolhimento às vítimas identificadas, informando às autoridades competentes os casos de imediata judicialização, para não somente dar a voz às vítimas, mas também garantir a condução legal e encaminhar as denúncias. Por uma parceria com o Centro de Referência às Vítimas da Violência do Instituto Sedes Sapientiae (CNRVV), equipes interdisciplinares acompanham a solução de cada caso, respeitando suas singularidades.

 

    Relatos

    Entre tantas histórias marcantes que passaram pelo projeto, Hertha de Oliveira relembra um caso que aconteceu nas primeiras apresentações. Uma menina saiu correndo e chorando durante a peça de teatro. “Fui conversar com ela em particular e soube que havia sofrido tentativa de estupro pelo tio”, recorda. A criança morava na casa da tia e conseguiu chamá-la pelo celular pedindo socorro. A reação da tia foi mandá-la de volta para a casa da mãe. “Contatada pela escola, a mãe disse que também havia passado por isso com a mesma idade da filha e, como tinha conseguido superar, a filha também tinha que fazer o mesmo. A garota estava se mutilando e já havia tentado suicídio”, conta.

    Depois da intervenção da mediadora da escola, que era psicóloga, a mãe conseguiu entender a violência que havia sofrido e como ela estava colaborando para que sua filha sofresse a mesma violência. A mulher acabou contando para a filha o que havia passado, elas se abraçaram e foram juntas à polícia para tomar as providências protetivas necessárias. “A menina havia pedido para a mediadora me agradecer, porque sua vida tinha mudado. Isso não tem preço. Essa foi uma das histórias que inspirou uma das narrativas do modelo virtual”, relata.

    Pela segunda vez, o projeto ganhou menção honrosa no Prêmio Betinho de Cidadania e Democracia, realizado em outubro do ano passado. A primeira havia sido em 2018. O prêmio agracia anualmente organizações da sociedade civil sem fins lucrativos por atividades, programas e projetos de enfrentamento à fome, exclusão, miséria, violência e outras práticas em defesa da cidadania na cidade de São Paulo.

    “A família, a comunidade, o poder público e cada um de nós temos que estar conscientes e agir objetivamente para conter o abuso sexual infantil, que tem aumentado significativamente”, analisa a juíza. De acordo com o último balanço divulgado em maio do ano passado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), dos 159 mil registros feitos pelo Disque Direitos Humanos ao longo de 2019, mais de 86 mil foram de violações dos direitos de crianças ou adolescentes, um aumento de quase 14% em relação a 2018. Só nos primeiros quatro meses de 2020, foram mais de 28 mil denúncias recebidas via ligações telefônicas. “Que juntos consigamos chegar onde é necessário para mudar o destino das nossas crianças e adolescentes”, finaliza a magistrada.

 

    Direitos e deveres

    A proteção das crianças e adolescentes é um dever da família, da comunidade, do poder público e de cada um de nós. E a voz das vítimas é sua maior defesa contra o abuso sexual. Portanto, não se omita! Se souber de crianças vítimas de violência física, sexual, psicológica ou negligência, denuncie:
    Projeto Eu Tenho Voz: eutenhovoz@ipam.com.br

    Site: www.eutenhovoz.com.br

    Disque 100 • Disque denúncia 181 • Polícia 190

    Aplicativo Proteja Brasil: www.protejabrasil.com.br

 

    *Com informações do Ipam

 

    N.R.: texto originalmente publicado no DJE de 3/3/21.

 

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