sexta-feira, 19 de maio de 2023

Campanha “Não se Cale!”, do TJSP, alerta sobre bullying

Campanha “Não se Cale!”, do TJSP, alerta sobre bullying

Conscientização das vítimas e responsáveis.
 
O Tribunal de Justiça de São Paulo promove, pelo quarto ano consecutivo, a campanha “Não se Cale!”, relançada sempre em 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Em 2023, a ação é voltada para o enfrentamento ao bullying. O objetivo é informar crianças, adolescentes, pais e responsáveis sobre os tipos existentes (incluindo o bullying sexual), os sinais e o que fazer nesses casos. “Esse é um problema de toda a sociedade, com reflexos no comportamento da vítima, na sua relação com familiares, colegas de classe e professores. É no ambiente escolar que grande parte dos casos acontece e pode gerar atos de violência nas escolas e comunidades”, explica a juíza Ana Carolina Della Latta Camargo Belmudes, idealizadora da campanha. 
O bullying pode assumir contornos verbais, psicológicos, físicos, sociais e o cyberbullying. Machucados, hematomas, recusa em frequentar a escola, diminuição do rendimento e das notas, baixa autoestima, isolamento, ansiedade e comportamentos agressivos podem ser sinais de que crianças e adolescentes sofrem hostilidades. Cartazes e vídeos que circulam pelos sites, redes sociais e espaços físicos do TJSP e dos parceiros, também com alerta aos responsáveis sobre o sharenting, que consiste no compartilhamento excessivo de fotos, vídeos, aspectos da rotina e informações sobre o filho nas redes sociais, podendo torná-lo alvo de criminosos.
 
“Não se Cale!”
O projeto “Não Se Cale!” nasceu em maio de 2020, durante a pandemia. Na primeira fase, a campanha se concentrou na divulgação de canais de denúncia de abusos sofridos por crianças e adolescentes, considerando que o isolamento social gerou um quadro de subnotificação dos casos. No ano seguinte, com o retorno gradual às atividades presenciais, o projeto passou à divulgação e fortalecimento da rede de apoio, especialmente nas escolas, por meio de parceria com a Secretaria Estadual de Educação. Na terceira etapa, a divulgação foi voltada para a importância do depoimento especial para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual. 
 
Sobre Abuso Sexual
Veja como identificar os sinais de violência sexual, como lidar com a criança ou o adolescente e como fazer a denúncia: 
 
Para quais sinais as pessoas devem estar atentas?  
Há situações em que as violências não deixam sinais identificáveis, mas que devem ser monitoradas. Precisamos estar atentos a mudanças repentinas de comportamento e de humor, alterações no sono e na alimentação. Além disso, devemos observar a resistência da criança ou do adolescente em ficar sozinho(a) ou permanecer na companhia de determinada pessoa. Outras vezes, os sinais de alerta são mais explícitos, como gritos, choros constantes e marcas no corpo. Todas as situações devem ser vistas em sua complexidade e nunca isoladamente. 
 
  Se estou desconfiada(o), como devo abordar a criança/adolescente para tentar descobrir se aconteceu alguma coisa? 
É fundamental estar calmo para conversar. A revelação da violência sofrida é um processo e, muitas vezes, não ocorre imediatamente ou é relatada de uma só vez. Seja, sobretudo, acolhedor, dizendo que não deixará de amá-la por qualquer situação que tenha acontecido. Faça perguntas abertas, jamais sugestivas. Por exemplo, ao invés de perguntar "Alguém mexeu com você na escola?", "Fulano tocou no seu corpo?", pergunte: "Aconteceu alguma coisa com você?", "Como está se sentindo?", "Há algo que você ache importante me contar?"  Caso a criança demonstre resistência em falar, não insista! Se há suspeita de violência, comunique às autoridades competentes e deixe que profissionais especializados abordem o assunto. Lembrando que a criança/adolescente não deve depor contra sua vontade na delegacia ou em qualquer outro lugar. 
 
Onde denunciar casos de violência sexual
Disque 100: mantido pelo Governo Federal, recebe, encaminha e monitora denúncias de violação de direitos humanos. A ligação pode ser feita de telefone fixo ou celular e é gratuita. Funciona 24 horas, mesmo aos finais de semana e feriados. A denúncia pode ser anônima.
Conselho Tutelar: é o principal órgão de proteção a crianças e adolescentes. Há conselhos tutelares em todas as regiões. A denúncia pode ser feita por telefone ou pessoalmente, e as unidades estão funcionando em horários diferenciados. É possível encontrar os contatos pela internet. Na cidade de São Paulo, a Prefeitura disponibiliza telefones e endereços na página: 
Delegacias de Polícia: seguem abertas 24 horas. Tanto as delegacias comuns quanto as especializadas recebem denúncias de violência contra crianças e adolescentes. 
Polícia Militar: em caso de emergência, disque 190. A ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas. 

 

Comunicação Social TJSP – BC (texto) / LF (arte)
imprensatj@tjsp.jus.br

 

Mantida condenação de homem que realizava corte de orelhas de pitbulls

Mantida condenação de homem que realizava corte de orelhas de pitbulls

Procedimento conhecido como conchectomia é crime.
 
A 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação de um homem acusado de realizar cirurgias para retirar orelhas de cães da raça pitbull, procedimento conhecido como conchectomia. A pena foi fixada em 2 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão, sendo a privativa de liberdade convertida em prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária.
Os fatos aconteceram na Comarca de Adamantina, entre janeiro e fevereiro de 2021. Segundo os autos, o réu realizou a cirurgia em pelo menos três animais. Além disso, foram encontradas em seu celular imagens de outros cães mutilados e diálogos com terceiros a respeito do procedimento, o que, no entendimento do desembargador Pinheiro Franco, relator do acórdão, indica que o acusado “exercia a atividade ilícita de forma habitual”.
No recurso, a defesa não se insurgia contra a condenação, mas buscava alteração na pena, com alegação de atenuantes e mudança na forma de fixação. Foi acolhida a atenuante de baixo grau de instrução e modificada a fração da continuidade delitiva. A conchectomia configura crime e o delito integra o rol de práticas coibidas pelo artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que trata sobre abusos, maus-tratos e mutilação de animais domésticos e silvestres. 
Completaram a turma julgadora Tristão Ribeiro e Geraldo Wohlers. A decisão foi unânime.
 
 
Comunicação Social TJSP – RD (texto) / Internet (foto)

 

Primeiro congresso do Foninj tem início em São Paulo

Primeiro congresso do Foninj tem início em São Paulo

Prioridade para direitos das crianças e dos adolescentes.
 
Teve início hoje (18), na Escola Paulista da Magistratura (EPM), o I Congresso do Fórum Nacional da Infância e Juventude (Foninj), promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo e a EPM. Com o tema central “Direitos de crianças e adolescentes: por que são prioridade absoluta e responsabilidade de todos?”, o evento reúne até essa sexta-feira magistrados, promotores de Justiça, defensores públicos e integrantes das equipes técnicas do Poder Judiciário, Ministério Público e Defensorias de todo o país. Prestigiaram o congresso o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ricardo Mair Anafe, que deu as boas-vindas aos participantes ao término dos trabalhos no período da manhã, e o corregedor-geral da Justiça, desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, que participou da abertura.
O Foninj é composto por juízes auxiliares da Presidência do CNJ, magistrados que atuam em varas da Infância e Juventude, representantes de entidades de classe e organizações com foco na Infância e Juventude. O congresso tem o apoio da Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e da Juventude (Abraminj), Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), Colégio de Coordenadores da Infância e Juventude dos Tribunais de Justiça do Brasil (Colinj), Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo, Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Fórum Nacional dos Juízes da Justiça Juvenil (Fonajuv), Fórum Nacional dos Juízes da Justiça Protetiva (Fonajup), Instituto Alana, Instituto Brasileiro de Direito da Criança e do Adolescente (Ibdcria) e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
 
Abertura
O diretor da EPM, desembargador José Maria Câmara Junior, que deu as boas-vindas e agradeceu a participação de todos, em especial dos painelistas, organizadores, servidores e colaboradores e destacou a importância do tema. Ele ressaltou que o evento teve 930 participantes inscritos para a modalidade on-line e 281 presenciais, em dois auditórios da Escola.
A presidente do Colinj, juíza Iracy Ribeiro Mangueira Marques, ressaltou a importância da sistematização, concretização e efetivação do arcabouço normativo sobre Infância e Juventude e da interoperabilidade dos sistemas usados na jurisdição, bem como o respeito à prioridade absoluta, ao melhor interesse da criança e à integralidade do atendimento. O diretor do Ibdcria, Raul de Souza Araújo, enfatizou a necessidade de representatividade do sistema de Justiça em relação às várias realidades das crianças e adolescentes, como os sem-terra, em serviços de acolhimento ou cumprindo medida socioeducativa. “Quanto mais representativo forem os sistemas de Justiça e de garantias, melhor o diálogo com essas diversas realidades”, frisou.
O presidente do Fonajup, juiz Daniel Konder de Almeida, asseverou que o congresso posiciona efetivamente as crianças como sujeitos de direitos, permitindo que participem dos debates e das construções políticas judiciárias que impactarão suas vidas. O presidente do Fonajuv, juiz Rafael Souza Cardozo, ressaltou que a aplicação de medidas socioeducativas deve estar baseada em evidências científicas e servir como instrumento de ressocialização, jamais de punição. “É preciso respeitar as garantias constitucionais dos adolescentes a quem se imputa a prática de atos infracionais e ter em mente que o julgamento rápido e célere é direito subjetivo desses jovens e obrigação de todos que compõem o sistema de Justiça”, afirmou.
A presidente da Apamagis, juíza Vanessa Ribeiro Mateus, salientou a honra pela realização de evento dessa magnitude em São Paulo. “É um enriquecimento ímpar para nós a discussão com essa multiplicidade de visões. Um dos pilares da nossa democracia é fortalecer a imagem do Judiciário e poucas coisas são tão sentidas pela sociedade como a nossa função na Infância e Juventude.” O coordenador da Comissão de Promoção e Defesa da Criança e do Adolescente do Condege, Fernando Redede, parabenizou os organizadores pela diversidade de temas e afirmou a necessidade de formar consensos sobre as previsões legais sobre infância e juventude para garantir sua concretude na vida das crianças e adolescentes e das famílias afetadas.
A promotora de Justiça Mirella de Carvalho Bauzys Monteiro, auxiliar da Comissão da Infância, Juventude e Educação do CNMP, representando o presidente da Comissão, enalteceu a oportunidade de debater de forma articulada a implementação das políticas públicas para a garantia da proteção integral da infância e juventude, lembrando que a data do encontro marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
O presidente da Abraminj e coordenador da Infância e da Juventude do TJSP, desembargador Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, agradeceu a todos que colaboraram para a realização do evento, enfatizando que todos os estados do país estão representados. “Sentimos a vontade e a seriedade com que a matéria está sendo tratada, em especial pelo CNJ, e o prestígio e o respeito que a área tem merecido nos tribunais de Justiça. Essa é uma oportunidade para nos aprimorarmos para entregar uma justiça para nossas crianças e adolescentes atual, coerente e que tenha efetividade e eficácia.”
O corregedor-geral da Justiça, desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, representando o presidente do TJSP, afirmou ser uma honra para o Tribunal recepcionar congressistas de todo o Brasil. “Esse evento é um laboratório de ideias para a consagração, em sua plenitude, dos direitos da infância e da juventude. Devemos estudar a questão com afinco para uma prestação jurisdicional de qualidade e realmente voltada ao interesse do adolescente e da criança.”
 
Atividades
A conferência inaugural, “Crianças e adolescentes – a prioridade absoluta em questão e a prevenção e enfrentamento da violência”, foi feita pelo juiz Richard Pae Kim, conselheiro do CNJ e presidente do Foninj. Ele asseverou que houve muitos avanços na área, mas “os desafios continuam grandes, num país em que mais de 90 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, com índices altíssimos de violência familiar, mais de 3,5 milhões de usuários de drogas, sendo mais de 200 mil de crack”. Acrescentou que entre 2011 e 2017, 70% das 527 mil pessoas estupradas no Brasil eram crianças e adolescentes, 50% deles com idade entre um a cinco anos, segundo o Ministério da Saúde. “A extrema pobreza, aliada à violência e à falta de cuidados continuam a gerar danos irrecuperáveis nas crianças e adolescentes. Temos leis avançadas que garantem direitos, mas precisamos nos empenhar para dar concretude a elas, para que nossos esforços não sejam em vão e para que possamos estar à altura da expectativa de nossas crianças, pois o futuro delas depende”, disse. Pae Kim ressaltou que o Judiciário tem se engajado, investindo nas varas da Infância e Juventude, inclusive com a criação de varas especializadas em crimes contra crianças e adolescentes, e que o CNJ, juntamente com os tribunais têm condições de buscar soluções em âmbito nacional dos problemas que atingem a judicialização e apoiar outras políticas sociais.
Na sequência, foi realizado o painel “Avanços nas políticas judiciárias da infância e da adolescência – o papel do CNJ e do Foninj”, com coordenação do juiz Eduardo Rezende Melo, responsável pela área da Infância e Juventude da EPM. O juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba Hugo Gomes Zaher, vice-presidente da Abraminj, discorreu sobre o tema “Política Judiciária Nacional para Primeira Infância como embrião de uma política nacional da Justiça da infância e adolescência (Resolução CNJ 470/22)”. O juiz auxiliar da Presidência do CNJ Edinaldo César Santos Junior, gestor do Pacto Nacional pela Primeira Infância, falou sobre o tema “Infâncias e adolescências diversas sob o olhar do CNJ”. Em seguida, a juíza do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul Samyra Remzetti Bernardi palestrou sobre a entrega protegida para adoção (Resolução CNJ 485/23)”. Foi debatido a seguir o tema “Política nacional judicial de atenção a pessoas em situação de rua e suas interseccionalidades (Resolução 425/21)”, com exposição do juiz assessor da Corregedoria do TJSP Iberê de Castro Dias. Encerrando o painel, a juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região Lorena de Mello Rezende Colnago discorreu sobre o combate ao trabalho infantil e outras interfaces da Justiça da Infância e Juventude com a Justiça do Trabalho.
Na parte da tarde, foram realizados cinco workshops: “Direito à participação e à escuta: ser sujeito de direitos é poder participar das ações/decisões que afetam seu destino”, “Desafios e oportunidades na garantia da Justiça a adolescentes a quem se atribui a prática de ato infracional”, “Novas fronteiras na Justiça da Infância e Juventude”, “Interseccionalidades e interfaces da Justiça da Infância e Juventude com outros segmentos do sistema de Justiça”, e “Direito à convivência familiar e comunitária”.
Também estiveram presentes na abertura a presidente do Instituto Paulista de Magistrados (Ipam), juíza Ana Maria Brugin; a presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Simone Cristina de Melo Bompani Malandrino; o presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Esequias Marcelino da Silva Filho; a secretária municipal de Justiça, Eunice Aparecida de Jesus Prudente; o secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Zamarco; o secretário municipal de Educação, Fernando Padula Novaes; e a secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Soninha Francine, entre outros magistrados, promotores de Justiça, defensores e outros profissionais.
O evento continua nessa sexta-feira (19), com debates, lançamento do Manual da entrega protegida para adoção, edição da carta do congresso e encerramento com a presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ, ministra Rosa Weber. Haverá transmissão pelo canal do CNJ no YouTube.
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Comunicação Social TJSP – MA (texto) / KS e MB (fotos)
imprensatj@tjsp.jus.br

 

Primeiro congresso do Foninj tem início em São Paulo

Prioridade para direitos das crianças e dos adolescentes.
 
Teve início hoje (18), na Escola Paulista da Magistratura (EPM), o I Congresso do Fórum Nacional da Infância e Juventude (Foninj), promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo e a EPM. Com o tema central “Direitos de crianças e adolescentes: por que são prioridade absoluta e responsabilidade de todos?”, o evento reúne até essa sexta-feira magistrados, promotores de Justiça, defensores públicos e integrantes das equipes técnicas do Poder Judiciário, Ministério Público e Defensorias de todo o país. Prestigiaram o congresso o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ricardo Mair Anafe, que deu as boas-vindas aos participantes ao término dos trabalhos no período da manhã, e o corregedor-geral da Justiça, desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, que participou da abertura.
O Foninj é composto por juízes auxiliares da Presidência do CNJ, magistrados que atuam em varas da Infância e Juventude, representantes de entidades de classe e organizações com foco na Infância e Juventude. O congresso tem o apoio da Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e da Juventude (Abraminj), Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), Colégio de Coordenadores da Infância e Juventude dos Tribunais de Justiça do Brasil (Colinj), Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo, Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Fórum Nacional dos Juízes da Justiça Juvenil (Fonajuv), Fórum Nacional dos Juízes da Justiça Protetiva (Fonajup), Instituto Alana, Instituto Brasileiro de Direito da Criança e do Adolescente (Ibdcria) e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
 
Abertura
O diretor da EPM, desembargador José Maria Câmara Junior, que deu as boas-vindas e agradeceu a participação de todos, em especial dos painelistas, organizadores, servidores e colaboradores e destacou a importância do tema. Ele ressaltou que o evento teve 930 participantes inscritos para a modalidade on-line e 281 presenciais, em dois auditórios da Escola.
A presidente do Colinj, juíza Iracy Ribeiro Mangueira Marques, ressaltou a importância da sistematização, concretização e efetivação do arcabouço normativo sobre Infância e Juventude e da interoperabilidade dos sistemas usados na jurisdição, bem como o respeito à prioridade absoluta, ao melhor interesse da criança e à integralidade do atendimento. O diretor do Ibdcria, Raul de Souza Araújo, enfatizou a necessidade de representatividade do sistema de Justiça em relação às várias realidades das crianças e adolescentes, como os sem-terra, em serviços de acolhimento ou cumprindo medida socioeducativa. “Quanto mais representativo forem os sistemas de Justiça e de garantias, melhor o diálogo com essas diversas realidades”, frisou.
O presidente do Fonajup, juiz Daniel Konder de Almeida, asseverou que o congresso posiciona efetivamente as crianças como sujeitos de direitos, permitindo que participem dos debates e das construções políticas judiciárias que impactarão suas vidas. O presidente do Fonajuv, juiz Rafael Souza Cardozo, ressaltou que a aplicação de medidas socioeducativas deve estar baseada em evidências científicas e servir como instrumento de ressocialização, jamais de punição. “É preciso respeitar as garantias constitucionais dos adolescentes a quem se imputa a prática de atos infracionais e ter em mente que o julgamento rápido e célere é direito subjetivo desses jovens e obrigação de todos que compõem o sistema de Justiça”, afirmou.
A presidente da Apamagis, juíza Vanessa Ribeiro Mateus, salientou a honra pela realização de evento dessa magnitude em São Paulo. “É um enriquecimento ímpar para nós a discussão com essa multiplicidade de visões. Um dos pilares da nossa democracia é fortalecer a imagem do Judiciário e poucas coisas são tão sentidas pela sociedade como a nossa função na Infância e Juventude.” O coordenador da Comissão de Promoção e Defesa da Criança e do Adolescente do Condege, Fernando Redede, parabenizou os organizadores pela diversidade de temas e afirmou a necessidade de formar consensos sobre as previsões legais sobre infância e juventude para garantir sua concretude na vida das crianças e adolescentes e das famílias afetadas.
A promotora de Justiça Mirella de Carvalho Bauzys Monteiro, auxiliar da Comissão da Infância, Juventude e Educação do CNMP, representando o presidente da Comissão, enalteceu a oportunidade de debater de forma articulada a implementação das políticas públicas para a garantia da proteção integral da infância e juventude, lembrando que a data do encontro marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
O presidente da Abraminj e coordenador da Infância e da Juventude do TJSP, desembargador Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, agradeceu a todos que colaboraram para a realização do evento, enfatizando que todos os estados do país estão representados. “Sentimos a vontade e a seriedade com que a matéria está sendo tratada, em especial pelo CNJ, e o prestígio e o respeito que a área tem merecido nos tribunais de Justiça. Essa é uma oportunidade para nos aprimorarmos para entregar uma justiça para nossas crianças e adolescentes atual, coerente e que tenha efetividade e eficácia.”
O corregedor-geral da Justiça, desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, representando o presidente do TJSP, afirmou ser uma honra para o Tribunal recepcionar congressistas de todo o Brasil. “Esse evento é um laboratório de ideias para a consagração, em sua plenitude, dos direitos da infância e da juventude. Devemos estudar a questão com afinco para uma prestação jurisdicional de qualidade e realmente voltada ao interesse do adolescente e da criança.”
 
Atividades
A conferência inaugural, “Crianças e adolescentes – a prioridade absoluta em questão e a prevenção e enfrentamento da violência”, foi feita pelo juiz Richard Pae Kim, conselheiro do CNJ e presidente do Foninj. Ele asseverou que houve muitos avanços na área, mas “os desafios continuam grandes, num país em que mais de 90 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, com índices altíssimos de violência familiar, mais de 3,5 milhões de usuários de drogas, sendo mais de 200 mil de crack”. Acrescentou que entre 2011 e 2017, 70% das 527 mil pessoas estupradas no Brasil eram crianças e adolescentes, 50% deles com idade entre um a cinco anos, segundo o Ministério da Saúde. “A extrema pobreza, aliada à violência e à falta de cuidados continuam a gerar danos irrecuperáveis nas crianças e adolescentes. Temos leis avançadas que garantem direitos, mas precisamos nos empenhar para dar concretude a elas, para que nossos esforços não sejam em vão e para que possamos estar à altura da expectativa de nossas crianças, pois o futuro delas depende”, disse. Pae Kim ressaltou que o Judiciário tem se engajado, investindo nas varas da Infância e Juventude, inclusive com a criação de varas especializadas em crimes contra crianças e adolescentes, e que o CNJ, juntamente com os tribunais têm condições de buscar soluções em âmbito nacional dos problemas que atingem a judicialização e apoiar outras políticas sociais.
Na sequência, foi realizado o painel “Avanços nas políticas judiciárias da infância e da adolescência – o papel do CNJ e do Foninj”, com coordenação do juiz Eduardo Rezende Melo, responsável pela área da Infância e Juventude da EPM. O juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba Hugo Gomes Zaher, vice-presidente da Abraminj, discorreu sobre o tema “Política Judiciária Nacional para Primeira Infância como embrião de uma política nacional da Justiça da infância e adolescência (Resolução CNJ 470/22)”. O juiz auxiliar da Presidência do CNJ Edinaldo César Santos Junior, gestor do Pacto Nacional pela Primeira Infância, falou sobre o tema “Infâncias e adolescências diversas sob o olhar do CNJ”. Em seguida, a juíza do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul Samyra Remzetti Bernardi palestrou sobre a entrega protegida para adoção (Resolução CNJ 485/23)”. Foi debatido a seguir o tema “Política nacional judicial de atenção a pessoas em situação de rua e suas interseccionalidades (Resolução 425/21)”, com exposição do juiz assessor da Corregedoria do TJSP Iberê de Castro Dias. Encerrando o painel, a juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região Lorena de Mello Rezende Colnago discorreu sobre o combate ao trabalho infantil e outras interfaces da Justiça da Infância e Juventude com a Justiça do Trabalho.
Na parte da tarde, foram realizados cinco workshops: “Direito à participação e à escuta: ser sujeito de direitos é poder participar das ações/decisões que afetam seu destino”, “Desafios e oportunidades na garantia da Justiça a adolescentes a quem se atribui a prática de ato infracional”, “Novas fronteiras na Justiça da Infância e Juventude”, “Interseccionalidades e interfaces da Justiça da Infância e Juventude com outros segmentos do sistema de Justiça”, e “Direito à convivência familiar e comunitária”.
Também estiveram presentes na abertura a presidente do Instituto Paulista de Magistrados (Ipam), juíza Ana Maria Brugin; a presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Simone Cristina de Melo Bompani Malandrino; o presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Esequias Marcelino da Silva Filho; a secretária municipal de Justiça, Eunice Aparecida de Jesus Prudente; o secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Zamarco; o secretário municipal de Educação, Fernando Padula Novaes; e a secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Soninha Francine, entre outros magistrados, promotores de Justiça, defensores e outros profissionais.
O evento continua nessa sexta-feira (19), com debates, lançamento do Manual da entrega protegida para adoção, edição da carta do congresso e encerramento com a presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ, ministra Rosa Weber. Haverá transmissão pelo canal do CNJ no YouTube.
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Comunicação Social TJSP – MA (texto) / KS e MB (fotos)
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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Gapri lança nova edição do ‘Repertório de jurisprudência’

 

Gapri lança nova edição do ‘Repertório de jurisprudência’

Periódico traz seleção de julgados de Direito Privado.
 
O Grupo de Apoio ao Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (Gapri) disponibilizou nova edição do Repertório de Jurisprudência, que apresenta uma compilação de julgados selecionados pelos magistrados integrantes das câmaras de Direito Privado e de Direito Empresarial do TJSP. 
Entre os temas selecionados estão responsabilidade civil e indenização por erro médico, indenização por danos materiais e morais, pedido de conversão de união estável em casamento, usucapião especial urbana, locação de imóvel não residencial, transporte rodoviário de pessoas e dissolução parcial de sociedade e apuração de haveres, entre outros. 
 
Comunicação Social TJSP – MA (texto) / LF (arte)

TJSP na Mídia: Sala de escuta especial é destaque no jornal SBT Brasil

TJSP na Mídia: Sala de escuta especial é destaque no jornal SBT Brasil

Atendimento à vítima de abuso sexual infantil.
 
O jornal SBT Brasil veiculou ontem (16) reportagem sobre a melhora do Brasil em ranking mundial que apura a punição em casos de abuso sexual infantil. Um das razões, destacada na matéria, é o uso das salas de escuta especial para atender as vítimas. A repórter mostrou o trabalho realizado no Tribunal de Justiça de São Paulo nesta área. As salas têm um ambiente acolhedor e as vítimas são ouvidas somente por um psicólogo ou assistente social. O juiz, advogado e promotor de Justiça acompanham a oitiva na sala de audiência, por videoconferência.
Em entrevista, a juíza Gina Fonseca Corrêa, que atua no Setor de Atendimento de Crimes da Violência contra Infante, Idoso, Deficiente e Vítima de Tráfico Interno de Pessoas (Sanctvs), falou sobre o funcionamento das salas e como o trabalho contribui para que a criança apresente detalhes do fato. “É importante para entender se o crime de fato ocorreu, como foi e qual o grau de culpabilidade. Isso é relevante na dosimetria da pena”, disse a magistrada. A reportagem também conversou com Itamar Gonçalves, superintendente de advocacia da Childhood Brasil, organização de proteção aos direitos da infância e responsável pelo levantamento apresentado na reportagem.

 
Comunicação Social TJSP – GC (texto) / AD (arte)
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Contratos de cessão de bilheterias da Itapemirim são considerados nulos

Contratos de cessão de bilheterias da Itapemirim são considerados nulos

Empresa estava em recuperação judicial.
 
A 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo, em julgamento de três agravos de instrumento, manteve decisões da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Capital, proferidas pelo juiz João de Oliveira Rodrigues Filho. Foram negados pedidos de empresas de transporte rodoviário que pleiteavam a restituição dos módulos de bilheteria cedidos pela Itapemirim às vésperas de sua declaração de falência. A decisão declarou a nulidade dos contratos de cessão dos guichês, pois celebrados sem autorização judicial.
Os autos trazem que os guichês foram transferidos a outras companhias de transporte em razão da suspensão de várias linhas operadas pelo grupo Itapemirim, então em recuperação judicial, que buscou com tal medida diminuir os custos. As transações aconteceram antes da declaração de falência da companhia. No entanto, os contratos foram celebrados pelo administrador judicial sem que houvesse a autorização da Justiça para as operações comerciais. O relator do recurso, desembargador Azuma Nishi, apontou em seu voto que a administradora foi escolhida em assembleia de credores para apresentar um plano de recuperação judicial, “sendo que a alienação de bens indispensáveis para a consecução do objeto social, notadamente as posições de vendas de passagens rodoviárias, poderiam prejudicar ou inviabilizar a reestruturação e a efetiva recuperação das atividades das então recuperandas”.
O magistrado destacou, ainda, o valor econômico e operacional das bilheterias nos terminais rodoviários, capazes de auferir quantias notáveis com a venda de passagens, e a importância da manutenção de tal atividade para as empresas do grupo – para se reerguerem ou para satisfazer os credores. “A necessária chancela judicial teria analisado, para a sua autorização, se as condições praticadas nas referidas cessões locatícias, de módulos de bilheteria, eram razoáveis e se atendiam aos interesses das recuperandas, em momento pouco anterior à decretação das quebras”, esclareceu. “Não tendo satisfeito o requisito legal para a alienação deste relevante ativo intangível das agravadas, correta a declaração de nulidade de tais cessões reconhecida em primeiro grau.”
Também compuseram a turma julgadora os desembargadores Fortes Barbosa e J. B. Franco de Godoi. A decisão foi unânime.
 
 
Comunicação Social TJSP – GC (texto) / internet (foto)
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Mulher indenizará sobrinho por ofensas homofóbicas

Mulher indenizará sobrinho por ofensas homofóbicas

Fixada reparação por danos morais.
 
A 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo condenou uma mulher a indenizar o sobrinho por ofensas contra sua orientação sexual. A reparação por danos morais foi fixada R$ 3 mil. 
De acordo com a decisão, a mulher e seu irmão estavam conversando, quando ela fez comentários injuriosos a respeito do sobrinho de ambos, manifestando reprovação por sua opção sexual. Ela afirmou que o rapaz teria desvio mental, desajuste social e caráter duvidoso. Nesse momento, seu irmão gravou o diálogo e enviou ao autor, que ajuizou a ação afirmando ter sofrido abalo psicológico. 
Na decisão, o relator, desembargador José Rubens Queiroz Gomes, destacou que as provas dos autos demonstram “manifesta vontade da ré de proferir ofensas à pessoa do autor, desmerecendo-o e desqualificando-o diante dos impropérios, inclusive de cunho homofóbico e com forte carga de preconceito”. O magistrado também fez referência à sentença, que pontuou que a conduta ofendeu a honra subjetiva, reputação social e dignidade humana, extrapolando o direito à livre manifestação do pensamento, que não é absoluto e encontra limite na proteção à honra de terceiros. 
Completaram a turma julgadora os desembargadores Luiz Antonio Costa e Miguel Brandi. A decisão foi unânime. 
 
Comunicação Social TJSP – BC (texto) / Internet (foto)